sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Capítulo QUATRO

Estava tudo tão silencioso que ao fechar a porta, um barulho estrondoroso ecoou pela casa. Minhas pernas estavam moles, mal conseguia sustentar meu peso. Ao ouvir o fechar da porta, me senti muito culpada pelo que aconteceu. “Isso está errado! Parece que há uma nova Isa dentro de mim. Não posso fazer isso”.
Dei um passo a frente. Meus pés estavam formigando, achei que fosse cair. Lentamente fui levantando o olhar e avistei na beira da escada aquela figura misteriosa da porta. Eu até este momento não sabia o quê ou quem ela era.
O medo tomou conta de meu corpo. Aquela mulher deu um passo em minha direção.
__ Você é a Isabela, não é? Leandro me falou muito sobre você, até mesmo o Alexandre, a “nova aluna”.
__ Sim, sou eu mesma – Respondi entre risos para disfarçar minha surpresa – Mas todo mundo me chama de Isa.
__ Bem Isa, todo mundo me chama de Laura.
“Meu Deus, péssima, péssima piada. E o que essa mulher está fazendo? Sendo tão amável comigo! Parece até que não me viu aponto de beijar Alexandre, oras! Ela pensa que eu não sei!”.
Ri da sua piada infame. É tão bom ser, ou parecer, simpática às pessoas, naquela época eu gostava que as pessoas gostassem de mim.
__ Bem, é melhor eu descer, Leandro deve estar impaciente me esperando. Parece que fiquei uma eternidade aqui em cima.
__ Sei!
“Sei? Controle-se, Isa, controle-se. Assim que eu descer as escadas não precisarei mais aguentar toda essa ironia barata”.
Enquanto descia as escadas ficava imaginando porque Laura escondeu o que sabia.
Estava quase chegando ao encontro de Leandro e estava começando a sentir dor de cabeça. As dúvidas em meu pensamento não cessavam. “Preciso arranjar um jeito de sair daqui. Quero ir para casa urgente! Até parece ironia do destino... Até agora eu estava com o Alexandre e agora estou indo ao inferno amarrada por inúmeras correntes”.
__ Pensei que você realmente tivesse se perdido lá em cima, tudo certo agora?
__ Já estive melhor. Minha cabeça está me matando. Parece que vai explodir
__ Só um minuto, vou buscar um remédio para você.
__ Não, muito obrigada. Não é preciso. Acho que vou embora
__ Imagine, fique mais um pouco. Vamos tomar um café e assim podemos conversar – disse Laura enquanto descia as escadas.
“Outra vez essa mulher. Era só o que me faltava”.
__ Não sei não, mãe. Café com dor de cabeça parece que não vai muito bem. A não ser é claro que você queira, Isa.
__ Bem, já que vou ficar mais um pouco, então aceito o remédio que você me ofereceu.
Leandro saiu da sala correndo em direção à cozinha. Ficamos a sós novamente. Só eu e Laura.
__ Então, o que você está achando da escola? Você está gostando?
“Assunto, assunto, eu preciso encontrar um assunto até que Leandro volte”.
__ Sim, está tudo muito bom, melhor que na minha antiga escola!
__ Porque você mudou de escola?
__ Minha mãe achou melhor assim...
__ Melhor por quê?
__ Bem, eu não considero motivo suficiente para deixar uma escola, mas aconteceu... Uma professora foi afastada do cargo porque se envolveu com um aluno de 16 anos, mesmo o garoto a defendendo. Uma pena. Era minha professora preferida.
__ Professora de quê?
__ Ela era professora de Biologia. Foi um grande escândalo na época. Ela era casada e quis se separar do marido para ficar com o garoto e ele era ciumento...
__ Meu Deus! E o que aconteceu?
__ Se me lembro bem... Essa história acabou mal. O marido traído seguiu os dois e os pegou na rua. Ele estava armado e imagino que você adivinhe o final.
__ Hum... Claro! Sinceramente não consigo entender o que leva uma pessoa a fazer isso! Ele deveria estar ciente que tudo acabou! Tentar matar uma pessoa não irá resolver nada. Existe muita gente ignorante nesse mundo.
__ Que mal lhe pergunte, qual a sua profissão? Isso se você tem uma... Eu nunca ouvi o Leandro falar de você!
__ Eu trabalho com artes... Sou pintora, desenhista, artista plástica... Eu estou pensando em talvez abrir uma Galeria. Algo bem simples...
__ Que legal! Achei bem interessante... Mas para você abrir uma galeria, você não precisa de uma ajuda... Tipo ter outra pessoa no mesmo projeto?
__ Entendo sua dúvida, Isabela.
__ Isa, por favor! – Na hora me arrependi de tê-la corrigido. Nosso Bate Papo, por incrível que pareça, estava bem interessante. Eu gostei dela. Apesar de tudo, ela era uma boa pessoa.
__ Pois é, Isa, eu tenho um sócio. Ele também está bem animado com o projeto. O nome dele é Nelson.
__ Ele também pinta?
__ Sim, na verdade eu e ele estudávamos juntos quando eu ainda estudava arte. Ultimamente estou só pintando, mas não tenho feito nada além de pintar, antigamente, eu costumava fazer muitas outras coisas.
Nesse momento, Leandro voltava a estar em nosso meio. Ele trazia uma cartelinha de remédios e um copo com água. Rapidamente peguei o copo e dois comprimidos.
“O clima está perfeito. Laura é muito educada. Nunca pensei que fosse gostar tanto da esposa do homem que eu gosto”.
__ Então, Isa, vamos tomar café? Eu preparei um bolo e quero que você experimente.
__ Pensei que você fosse artista não confeiteira – olhei para Leandro e ele estava sério, depois olhei para Laura e ela estava com um sorriso amarelo. A partir daí, prometi a mim mesma que nunca mais faria piadas em minha vida.
Estávamos eu, Laura e Leandro, um olhando para a cara do outro quando o sol passou a iluminar meus olhos.
Alexandre chegou perto da mesa. Olhou cada um de nós. Enquanto olhava para mim, Laura não parou de olhar na minha direção, talvez estivesse esperado que algo acontecesse.
“Mas por quê? Porque ela insiste em fingir que não nos viu? Afinal de contas, se ela não tivesse chegado naquele momento, provavelmente teríamos nos beijado. E ela sabe disso”.
__ Acho que vou tomar uma xícara de café com vocês. Então filho, como foi no shopping? Vocês se divertiram?
A pergunta de Alexandre me estremeceu por dentro, cheguei a pensar que ele fosse dizer algo inapropriado.
__ Foi ótimo, assistimos a um filme, eu gostei bastante, mas parece que a Isa não gostou. - Todos passaram a me olhar. Fiquei muito assustada com todos aqueles pares de olhos curiosos.
__ Eu não achei muito interessante. Não havia nada que me chamasse a atenção – “Para falar a verdade, eu nem olhei para a tela do cinema. Eu só tive tempo para pensar em apenas uma coisa”.
__ Eu particularmente adoro os clássicos – Disse Laura olhando em minha direção.
Durante todo o café me senti no centro do universo, todas as conversas giravam em torno de mim. Sempre que surgia um novo assunto, minha opinião era questionada. Sentia-me deitada numa maca, enquanto médicos me examinavam de todas as formas possíveis.
__ Você, Isa, gosta de clássicos?
“Ainda nesse assunto de cinema. Na verdade é melhor que continue nessa linha respeitável, assim eu consigo suportar. Espero que não me façam nenhuma pergunta pessoal”.
__ bem, eu já assisti a alguns e gostei, contando que o filme seja bom, não me interessa o ano ou se é falado ou mudo.
__ É exatamente o que eu digo – Laura continuou – sendo bom o filme, o resto não importa. O Alexandre na verdade gosta mais de lançamentos. Bons ou Ruins.
__ Claro, eu prefiro o que é novo – Disse Alexandre enquanto me olhava de cima a baixo.
“Prefiro o que é novo?” Durante todo o café tentei engolir essa frase. Frase estranhíssima, aliás.
Leandro estava num óbvio interesse em mim, acredito que apenas carnal. Alexandre não olhava para mais nada a não ser eu, e até mesmo Laura continuava me observando sem mover a cabeça um só momento.


Quando fui embora, os três foram me levar até a porta. E mesmo eu já caminhando pra longe, pude perceber que todos eles me acompanhavam com os olhos.
Havia parado de chover.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Capítulo TRÊS

Entramos na casa de Leandro. Lá fora ainda chovia. Estávamos molhados da cabeça aos pés. Encharcados, fomos entrando pela sala de estar enquanto tirávamos blusas e casacos.
A sala estava na penumbra do crepúsculo, ajudada pela tempestade que caia lá fora. De tempo em tempo a sala se iluminava por algum raio que caia, mas mesmo iluminando a sala, parecia que tudo continuava escuro e triste.
__ Você tem uma toalha sobrando para eu me secar?
__ Toalha! Espere um pouco... Vou ver no Banheiro!
__ Não! Eu estava mesmo precisando ir ao banheiro. Será que posso?
__ Claro Isa! O banheiro é lá em cima. Sobe as escadas, segue o corredor e é a ultima porta.
__ Será que não tem um mapa para eu me localizar? – até achei a piada um pouco legal, mas olhei para Leandro e acho que ele não gostou então subi as escadas em silêncio.
Quando cheguei ao andar de cima, parecia que eu estava presa em um labirinto. Havia muitas portas e nesse momento, já nem me lembrava das instruções que Leandro me deu. Somente estava pensando em alguma desculpa para ir embora.
Mas no momento eu precisava mesmo ir ao banheiro. E na pressa acabei entrando pela primeira porta em que achei. Por sorte encontrei um banheiro no quarto em que havia entrado. Passei pela porta e fechei-a atrás de mim. Lá havia uma banheira, uns armários e ao lado várias toalhas. Peguei a primeira delas, uma toalha azul-marinho. “Bem que essa podia ser do Alexandre”.
Consegui ficar um pouco mais seca depois de muito tempo. “E agora? O que eu faço com essa toalha molhada?” Deixei-a pendurada no primeiro lugar que encontrei. Acho até que ali não era lugar para toalha.
Abri a porta. Alexandre estava na cama.
Ao vê-lo, senti uma mistura de sentimentos. Parecia que meu coração ia explodir em mil pedaços Sentia emoção como se eu fosse chorar e principalmente sentia muita vergonha por estar de frente a ele. Nunca havia o visto em sua intimidade, apenas o via atrás de uma mesa, cheio de livros e divinamente explicando as coisas esquisitas da Física.
Naquela hora, meu coração estava batendo fortemente quando ouvi sua voz doce falando comigo.
__ Isabela, acredito que tenha uma boa explicação para me dar. Ouvir-te-ei sem atrapalhar.
“Não posso acreditar nisso. Meu Deus, o que vou falar agora?” Tentei falar alguma coisa, mas acabei gaguejando e recomecei a falar.
__ Me desculpe. Eu estava procurando o banheiro e acabei entrando por engano aqui. Mas percebi que tinha um banheiro e... Eu não tive intenção de fazer nada – Estava quase chorando de verdade e estava até pensando em me mudar para o Peru ou Bolívia para nunca mais ter que olhar para a cara dele.
__ Imagine, está tudo bem. Leandro me disse que tinha uma colega da escola aqui com ele, mas eu nunca imaginei que seria você. Por que... Você Sabe... Eu... Não considero alunos ou alunas como considero você... Bem, quero dizer...
“Não considero alunos ou alunas como considero você? – Eu realmente ouvi isso? Meu Deus!”.
__ Bem, o que eu quero dizer, sem mais rodeios é que acho você especial, diferente dos outros alunos.
Ele veio chegando pra perto de mim e eu sem recuar, esperei que ele chegasse até mim, me abraçou e ficamos assim, abraçados, como se o mundo fosse acabar e por isso precisássemos um do outro.
Senti meu coração descompassado, cheguei a pensar por um momento que fosse desmaiar. Minhas pernas pareciam não querer obedecer. Estavam trêmulas.
_Eu...
Alexandre quis dizer algo, mas sua voz e coragem cessaram por um momento. Silêncio. Ficamos olhando nos olhos enquanto abraçados, meu rosto encostado no dele, colados pelo calor do momento.
Ouvi passos na escada. Quis terminar o abraço, mas não consegui. Apenas separei meu rosto do dele.
Não sabia o que fazer naquele instante. Poderia ser o Leandro. Não queria que ele me visse com seu pai. Fiquei eufórica, nunca havia sentido nada igual em minha vida. Estava suando muito, achei que iria morrer de desidratação.
Alexandre fixou seus olhos pretos nos meus, fiquei com medo do que ele fosse fazer. Seus lábios se aproximaram cada vez mais de mim... Sonhei tanto com esse momento. De repente ele desviou sua boca carnuda para perto de minha orelha. Um arrepio subiu por meu corpo e ele começou a sussurrar palavras suaves que eu desejava ouvir.
Enquanto Alexandre me fazia sentir coisas estranhas, vi pela porta entreaberta uma figura feminina. Poderia ter sido apenas uma alucinação ou quem sabe um fantasma que assombrava meus melhores sonhos. Parecia muito bom para ser verdade. Meus olhos queriam parar de olhar para ela, mas meus instintos me fizeram continuar.
Ela era um pouco alta para ser uma garota. Estava com seus cabelos louros presos de um jeito sensual. Seus olhos azuis se destacavam no ambiente. Tive medo de pensar o que ela fosse nessa família. Finalmente tinha o Alexandre tão perto de mim que não queria nem mesmo respirar. Aquele momento seria único em minha vida. Desviei meu olhar à porta que agora estava vazia.
Ficamos em silêncio. Não aquele silêncio que incomoda, que nos deixa pensando em algo para dizer apenas para haver, por mais terrível que seja, assunto. Ouvíamos apenas nossas respirações ofegantes e alteradas.
Finalmente tive coragem suficiente para olhar nos olhos de Alexandre. Ele me soltou do abraço e ficamos sem saber o que fazer ou falar. Olhei para o chão com a única intenção de não ter que encará-lo.
Intermináveis minutos se passaram até que algo acontecesse. Alexandre olhou nos meus olhos mais uma vez, entrou no banheiro e trancou a porta.
Agora sozinha no quarto, pude ouvir novamente a chuva que caía. Estava escuro. Enxuguei as lágrimas, arrumei meu cabelo, ainda molhado e sai pela porta. Sorria um sorriso de medo e ansiedade, mas de qualquer forma, eu finalmente, finalmente sorria.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Capítulo DOIS

Leandro veio chegando por detrás de mim. Era uma Segunda-feira chuvosa e ele parecia estar muito animado, mesmo estando o tempo daquela forma.
Chovia desde Domingo. Estava frio e agradável. Estava me sentindo mal. Sempre que chovia em excesso eu me sentia sozinha e triste, principalmente agora com esse meu amor platônico.
Alexandre não viria hoje, não o veria por intermináveis horas. Sofria com cada segundo que se demorava a passar. Eu precisava vê-lo. Precisava para me sentir viva.
__ Isa, o que é que você tem hoje? Parece que esta chuva te deixou tão pra baixo. É isso? É a chuva?
__ Não! Eu estou um pouco sem o que fazer. Eu até gosto da chuva. Acho inspirador...
__ Ah claro! Se quiser a gente pode ir ao shopping, quem sabe assistir a um filme que esteja em cartaz no cinema.
__ Leandro, eu não quero que você se sinta obrigado a ficar comigo. Eu não ligo de ficar sozinha.
__ Eu gosto de ficar com você! Você é uma pessoa interessante.
Nesse momento, olhei bem nos lhos de Leandro e percebi que ele ficou envergonhado ao falar isso. Não sei se percebi corretamente, mas parecia que ele estava me paquerando.
“Bem... claro que isso não deve ser verdade, imagina só... O filho do meu professor querido apaixonado por mim – É melhor nem pensar”.
__ Então Isa, você vai ou não vai?
__ Claro, porque não? Um filme não faz mal a ninguém. Principalmente com essa chuva maravilhosa.



Saímos do cinema. O filme tinha sido terrível. Assistimos apenas por assistir. Durante toda a sessão Leandro ficou com seu braço direito sobre meus ombros. Não que fosse impróprio, mas eu tinha detestado aquilo. Depois de um tempo ele colocou a mão no meu joelho, senti asco e raiva ao mesmo tempo. Minha vontade de sair pela porta foi grande, mas consegui aguentar todo o filme.
Após termos saído do cinema, ficamos andando pelo shopping e de repente Leandro se interessou por uma loja esportiva. Ele resolveu entrar nessa loja e foi quando lembrei que precisava voltar para casa.
__ Leandro, eu não posso demorar, preciso voltar para casa urgente!
__ Por quê? O que aconteceu? Você está sentindo alguma coisa?
“Bem... Na verdade estava tudo péssimo. Não acredito que a única pessoa que eu conheço estava querendo coisas a mais. Até parece ironia... Eu amo o Alexandre e quem retribui esse sentimento é você” – Eu estava quase respondendo isso para ele, mas resolvi mentir. Falei a primeira coisa que me veio a cabeça
__ O problema é a Física. Eu não consigo entender nada. Eu preciso estudar um pouco!
__ Se você quiser ir lá em casa eu posso te ensinar, lá tem muitos livros de física, como você deve imaginar.
Olhei nos seus olhos e tive vontade de chorar. Não sei porque, pois o pior já tinha passado, mas de qualquer maneira, eu não queria passar nem mais um segundo perto dele. Ele me dava nojo. Antes do cinema eu sentia apenas um sentimento de repulsa, mas agora ficara insuportável. Eu queria distância dele. Apenas distância.
__ Então, vamos? Posso te explicar a matéria, e também, caso você me ache um mau professor – disse entre risos – Eu posso pedir ajuda para o meu pai. Ele deve estar em casa.
“Alexandre, o que eu não faço por você? Até aguentar esse intragável por uma tarde toda, somente na esperança de te ver”.
__ Bem, já que você insiste... Vamos

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Capítulo UM

Desde o primeiro dia em que passei a estudar nesta escola minha vida mudou bastante, ainda não sei se para melhor, mas garanto que mudou muito. Eu era totalmente tímida e não conhecia ninguém.
Entrei na sala e escolhi um lugar junto a parede. Não queria chamar atenção. Fiquei apenas observando as pessoas em volta enquanto as aulas passavam por mim.
Meu dia até então estava sendo vazio e um pouco entediante até a última aula começar. Enquanto estavam todos apreensivos, eu estava começando a ficar feliz porque o momento tortura numa escola de estranhos estava acabando. Foi quando meu dia se tornou mais perfeito.
Ele vestia uma camisa azul, calça e sapatos pretos, carregava uma bolsa e vários livros. Despejou tudo na mesa.
__ Você então é a nova aluna? Bem, eu sou o Professor Alexandre. Professor de Física, aliás. Seja muito bem vinda a nossa Escola.
Meus olhos se encheram de lágrimas ao ver o professor. Nem consegui prestar atenção na aula. “Acredito que a partir de hoje, vou passar a adorar as aulas de Física”. O que achei interessante e até um pouco intrigante foi ver a grande semelhança de meu professor preferido com um dos alunos que por um acaso, eu nem sabia o nome.
Ao final da aula, notei que aquele garoto foi para casa, acompanhado pelo professor. Talvez eles sejam amigos ou talvez parentes. Pouco importa isso, o que importa mesmo é o Alexandre. “Não acredito que ele é meu professor, isso trás muitos problemas”.
Cheguei em casa e fui correndo para o meu quarto. “Estava tudo normal até o momento”. Olhei para meus livros e lembrei que tinha muita lição me esperando. Abri minha apostila e por coincidência abri na parte de Física. Comecei a fazer, mas notei que por não ter prestado a atenção devida a aula, eu não conseguia.

__ Hei, garota nova! Como é que você se chama? Eu sou o Leandro
__ Ah, oi. Eu sou Isa, Isabela na verdade, mas ninguém me chama assim.
__ Eu percebi que ontem você estava um pouco isolada do grupo e por isso resolvi “fazer contato”. Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa pode vir falar comigo!
__ Ah! Claro! Valeu... Leandro... É isso não é?
__ Sim, é isso!
Demos um sorriso amarelo por convenção e entramos na sala de aula.
__ A primeira aula é do meu pai, lembra dele? O professor de Física.
“Então é isso...”.
__ Parece ser estranho ter aula com seu próprio pai, você não acha?
__ Não, não mais. Ele é meu professor há quatro anos.
__ Nossa! Ele parece ser bem legal... – Eu fiz esse comentário somente para continuar conversando com ele. “Não é um assunto que todos gostam – conversar sobre professor ainda por cima sendo de Física, mas ele é Especial!”.
Alexandre entrou olhando nos meus olhos, senti um choque correndo por todo o meu corpo. Sua presença apenas me causava arrepios de alegria. Lutei com todas as minhas forças para não chorar e ao invés disso, apenas lhe dei um sorriso discreto. Um sorriso de aluna para professor.
A aula passava como sempre e eu não conseguia prestar atenção. “Eu não consigo entender o porquê eu estou tão entretida com o professor”. Enquanto eu pensava em alguma resposta para as minhas perguntas, percebi que estavam todos olhando para mim então resolvi voltar à realidade. Foi quando o Alexandre refez uma pergunta destinada a mim:
__ Então Isabela, segundo a minha explicação, você poderia me responder qual a fórmula devemos usar neste caso?
“Não acredito nisso, na primeira vez que ele fala comigo eu já não sei o que dizer. Dizer que eu não sei é pior que não dizer nada”. Ao ver que eu não sabia a resposta, sem que Alexandre visse, Leandro me mostrou a resposta em sua apostila e eu respondi.
__ Muito bem, sendo a fórmula... – Alexandre continuou com a explicação enquanto eu agradecia a ajuda.


Era sábado. Um dos dias que eu mais adorava e que agora não me chamava muito a atenção porque não via meu professor preferido. Estava em meu quarto, infeliz e sozinha quando o telefone tocou insistentemente. Desci a escada correndo e logo cheguei perante o telefone. Ao atender, ouvi uma voz rouca conversando comigo. Demorei a perceber quem era.
Coloquei o telefone no ganho e voltei para o meu quarto.
Fiquei muito transtornada por não reconhecer a voz misteriosa e agora fiquei pensando se o que fiz foi uma falta de educação minha. Decidi não pensar nisso, até porque, se fosse realmente importante, teriam ligado novamente. Neste sábado, fazia uma semana que passei a estudar naquela escola e conhecia apenas um garoto. Meu sábado estava muito entediante. Confesso que até pensei em ligar para o Leandro, mas fique com muita vergonha.