quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Capítulo DOIS

Leandro veio chegando por detrás de mim. Era uma Segunda-feira chuvosa e ele parecia estar muito animado, mesmo estando o tempo daquela forma.
Chovia desde Domingo. Estava frio e agradável. Estava me sentindo mal. Sempre que chovia em excesso eu me sentia sozinha e triste, principalmente agora com esse meu amor platônico.
Alexandre não viria hoje, não o veria por intermináveis horas. Sofria com cada segundo que se demorava a passar. Eu precisava vê-lo. Precisava para me sentir viva.
__ Isa, o que é que você tem hoje? Parece que esta chuva te deixou tão pra baixo. É isso? É a chuva?
__ Não! Eu estou um pouco sem o que fazer. Eu até gosto da chuva. Acho inspirador...
__ Ah claro! Se quiser a gente pode ir ao shopping, quem sabe assistir a um filme que esteja em cartaz no cinema.
__ Leandro, eu não quero que você se sinta obrigado a ficar comigo. Eu não ligo de ficar sozinha.
__ Eu gosto de ficar com você! Você é uma pessoa interessante.
Nesse momento, olhei bem nos lhos de Leandro e percebi que ele ficou envergonhado ao falar isso. Não sei se percebi corretamente, mas parecia que ele estava me paquerando.
“Bem... claro que isso não deve ser verdade, imagina só... O filho do meu professor querido apaixonado por mim – É melhor nem pensar”.
__ Então Isa, você vai ou não vai?
__ Claro, porque não? Um filme não faz mal a ninguém. Principalmente com essa chuva maravilhosa.



Saímos do cinema. O filme tinha sido terrível. Assistimos apenas por assistir. Durante toda a sessão Leandro ficou com seu braço direito sobre meus ombros. Não que fosse impróprio, mas eu tinha detestado aquilo. Depois de um tempo ele colocou a mão no meu joelho, senti asco e raiva ao mesmo tempo. Minha vontade de sair pela porta foi grande, mas consegui aguentar todo o filme.
Após termos saído do cinema, ficamos andando pelo shopping e de repente Leandro se interessou por uma loja esportiva. Ele resolveu entrar nessa loja e foi quando lembrei que precisava voltar para casa.
__ Leandro, eu não posso demorar, preciso voltar para casa urgente!
__ Por quê? O que aconteceu? Você está sentindo alguma coisa?
“Bem... Na verdade estava tudo péssimo. Não acredito que a única pessoa que eu conheço estava querendo coisas a mais. Até parece ironia... Eu amo o Alexandre e quem retribui esse sentimento é você” – Eu estava quase respondendo isso para ele, mas resolvi mentir. Falei a primeira coisa que me veio a cabeça
__ O problema é a Física. Eu não consigo entender nada. Eu preciso estudar um pouco!
__ Se você quiser ir lá em casa eu posso te ensinar, lá tem muitos livros de física, como você deve imaginar.
Olhei nos seus olhos e tive vontade de chorar. Não sei porque, pois o pior já tinha passado, mas de qualquer maneira, eu não queria passar nem mais um segundo perto dele. Ele me dava nojo. Antes do cinema eu sentia apenas um sentimento de repulsa, mas agora ficara insuportável. Eu queria distância dele. Apenas distância.
__ Então, vamos? Posso te explicar a matéria, e também, caso você me ache um mau professor – disse entre risos – Eu posso pedir ajuda para o meu pai. Ele deve estar em casa.
“Alexandre, o que eu não faço por você? Até aguentar esse intragável por uma tarde toda, somente na esperança de te ver”.
__ Bem, já que você insiste... Vamos

4 comentários: